· Por Maria Morgado
Campanhas criativas que fizeram design parecer entretenimento.
Existe uma mudança acontecendo no modo como marcas lançam produtos.
A embalagem deixou de ser só proteção, logística, acabamento. Agora ela participa da experiência inteira. Provoca clique, gera compartilhamento, vira assunto.
Antes mesmo de testar o produto, a pessoa já formou uma opinião. E isso não acontece por acaso.
Em um cenário onde quase tudo parece visualmente polido demais, campanhas com embalagens inesperadas criam uma pausa no feed. Elas quebram o padrão. Ativam curiosidade. Fazem a marca parecer mais interessante.
A lógica é simples: se todo mundo está tentando parecer premium, memorável virou um ativo ainda mais valioso.
O novo papel da embalagem
Durante muito tempo, a embalagem era tratada como detalhe.
Hoje, ela funciona como extensão do branding.
Textura, formato, humor visual, referências culturais, proporção, experiência de abertura. Tudo comunica.
Uma boa embalagem faz três coisas ao mesmo tempo:
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gera desejo;
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reforça posicionamento;
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Aumenta o potencial de compartilhamento orgânico.
É design pensado para existir tanto na mão quanto no feed.
Miu Miu e o unboxing como experiência
Na campanha de Fleur de Lait, a Miu Miu foi além do frasco.
Areia cinética em forma de sorvete, colher personalizada e uma direção de arte quase cenográfica transformam o unboxing em parte da campanha.
Quando o cheiro não pode ser sentido pela tela, marcas apostam no que ainda gera desejo: textura, gesto e experiência.Não é mais só abrir uma caixa. É participar de uma pequena experiência visual e tátil que foi claramente pensada para circular no TikTok, Reels e Pinterest.

Rhode e skincare como acessório
A Rhode entendeu rápido uma coisa: funcionalidade pode ser divertida.
Capinhas de celular com espaço para lip treatment transformaram um item banal em desejo instantâneo.
Não é só produto.
É produto + styling + rotina + conteúdo.
A embalagem acompanha essa lógica: minimalista, tátil, clean, sem parecer clínica.
Tudo foi pensado para caber em flat lays, espelhos e vídeos de rotina.
Glossier e a estética do presente cool
Poucas marcas entendem unboxing como a Glossier.
Zip bags rosas, adesivos, caixas compactas e identidade visual imediatamente reconhecível.
Nada parece excessivo.
Mas tudo parece colecionável.
Existe uma sensação de receber algo pensado por alguém com repertório visual.
A embalagem não grita. Ela seduz.
Moschino e o humor como assinatura
Luxo normalmente se leva a sério demais.
Moschino faz o contrário.
Frascos em formato de produtos de limpeza, ursinhos, objetos kitsch e referências pop transformam perfume em peça de entretenimento.
Você talvez nem compre.
Mas certamente lembra.
E a memória de marca vale muito.
Gentle Monster e experiência quase cenográfica
A Gentle Monster trabalha a embalagem como extensão do universo.
Abrir uma caixa da marca parece acessar uma instalação.
Volumes inesperados, estruturas rígidas, sensação futurista e direção de arte impecável.
A embalagem não acompanha o produto.
Ela prepara o usuário para ele.
Starbucks e o poder das edições limitadas
Nem toda embalagem memorável precisa ser premium.
Os copos sazonais da Starbucks provam isso.
Natal, Halloween, collabs especiais.
Objetos simples se tornam pequenos marcadores culturais.
As pessoas fotografam, colecionam e compartilham espontaneamente.
É branding cotidiano funcionando perfeitamente.
O que essas campanhas têm em comum
Apesar de parecerem diferentes, todas operam na mesma lógica.
Elas entendem que design deixou de ser acabamento.
Virou linguagem.
As embalagens mais interessantes hoje costumam ter:
Humor visual
Algo levemente inesperado, irônico ou lúdico.
Referências culturais
Moda, nostalgia, comida, infância, internet.
Formato memorável
Silhuetas reconhecíveis criam recall instantâneo.
Experiência tátil
Textura importa mais do que nunca.
Potencial de compartilhamento
A pergunta silenciosa é sempre a mesma: alguém teria vontade de postar isso?
O futuro parece menos sério
Talvez esse movimento tenha relação com cansaço visual.
Minimalismo excessivo saturou.
Luxo frio saturou.
Perfeição previsível saturou.
As marcas mais interessantes começaram a entender que o desejo também nasce de personalidade, humor e um certo grau de irreverência.
Design ainda importa.
Mas agora ele também precisa divertir um pouco.
Porque alguns produtos entregam função.
Outros entregam assunto.